9 de abr. de 2011

A Dama da Água I

Escuridão, madrugada, a praia vazia, o ar úmido. Desamarrou suas botas, ficou descalça. Puxou o vestido, pisou na beira do mar, sentindo o frio da água quase congelar seus pés, e sentou-se sem se importar com suas roupas. Era uma sensação boa. Pegou uma concha cônica, segurou-a firmemente. Pensou, chorou, pediu. E, assim como uma sacerdotisa de Avalon, entre as névoas aparecera uma dama em uma bela canoa, aproximando-se.
Um canto cuja melodia soava tristemente...
- Sinto-te de longe, senhorita. - a dama disse.
- O que você sentiu?
- Meu canto; ele está em teu coração.
- Isso não é bom... Ele é tão triste.
- Por que não dás uma chance para que o canto saia pela tua boca?
- Tenho medo. Medo de perder, de me arrepender.
- Não tens nada a perder, mas a libertar. Vem, vem comigo. Tu precisas desbravar teus mares.
- Já disse que tenho medo.
- Tu deves sentir medo é de ficar sentada aí, somente a olhar, nunca a agir.
A dama estendeu sua mão. Pele fria, úmida. Estavam juntas na canoa agora, navegando no mar manso. Uma onda se aproximava.
- Estás pronta?
- Para que?!
- Mas que pergunta, é claro que não estás. Mas irás. Precisas de alguém que faça isso por ti.
Então a dama a empurrou rumo às profundezas da água.

Um comentário:

  1. Ohh querida, que belo post.
    Aprecio teu modo de escrever, consegues expressar emoções tão profundas.

    Continue assim <3

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