28 de mar. de 2011

A Dama do Ar I


Siga a trilha de pedras cinzentas e escuras, ouça o caminhar, sentindo a brisa gélida a tocar suas bochechas rosadas.

Dirija-se até o centro da pequena clareira. Estará ela esperando por ti?
Soprara um dente-de-leão, e então ela aparecera.
Não fiques olhando na direção de teus pés, percebe a forma da nuvem acima.
- Parece uma mulher. É você?
Silêncio.
- Bobagem. Todas essas lendas... - vira-se e dá início à volta para casa, todavia sente um delicioso aroma e, curiosa, volta o olhar.
Havia uma fumaça quase transparente, em forma feminina, esguia, a observá-la de modo ligeiramente analítico. "Se eu disser, ela dirá também?"
- Sim, eu direi. Mas o que tu tens a dizer primeiramente, jovem?
- Não sei mais como pensar.
- Bom saber que entendes a diferença entre pensamento e raciocínio puro.
A figura era tão séria e emanava intelectualidade.
- Não sei como agir. Não sei em que ou quem pensar. Nada.
- Vazio?
- Vazio.
- Então não é comigo que tu tens de dialogar.
- E com quem poderia ser?!
- Apenas lhe digo: de que adianta milhares de pensamentos sem sequer saber de um sentimento?
E a figura esfumaçada dissolveu-se no ar, deixando-a sozinha no centro da clareira, num dia, assim como sua mente, frio e cinzento.

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