- Precisa de mais alguma coisa, rapaz?
- Oh... Eu gostaria de saber onde posso encontrar uma casa para estadia, só por um curto período de tempo.
- Hm, então você realmente é novo aqui. Percebi pelo sotaque. Bem, eu passo o dia todo trabalhando, então não sei te dizer, mas estão precisando de alguém para lavar as louças no restaurante da esquina. Acredita que foram capazes de vir até aqui persuadir Dona Ceana? Mas ainda bem que ela não aceitou, afinal, é uma velha empregada nossa, uma raridade de se encontrar hoje em dia. Quem sabe eles não tenham um quartinho em troca dos pratos lavados?
- Hm, então você realmente é novo aqui. Percebi pelo sotaque. Bem, eu passo o dia todo trabalhando, então não sei te dizer, mas estão precisando de alguém para lavar as louças no restaurante da esquina. Acredita que foram capazes de vir até aqui persuadir Dona Ceana? Mas ainda bem que ela não aceitou, afinal, é uma velha empregada nossa, uma raridade de se encontrar hoje em dia. Quem sabe eles não tenham um quartinho em troca dos pratos lavados?
- Oh, muito obrigado!
Ele achou o tal restaurante. Provavelmente não abria de manhã, pois estava fechado. Resolveu então dar uma volta.
Possuía um espírito com sede de aventura. Conheceu algumas lojas e praças. Viu uma garota muito encantadora: sua pele era branca, as bochechas rosadas, olhos de um verde vivo, claro e puro, e cabelos lisos e loiros que a davam um aspecto virginal. Ela estava sentada numa árvore. Ao ver que estava sendo observada, desceu e se pôs a subir uma colina pelas escadas de pedra agilmente.
Decidiu segui-la discretamente. Usava um vestido de verão azul marinho até os joelhos. Suas pernas eram tão formidáveis de serem observadas ao andar, movimento esse que fazia como uma ninfa.
Daí em diante, passou a ouvir uns sons mais adiante. Seriam flautas? Gaita-de-fole? Violinos? Um cheiro de erva queimada misturava-se com o aroma das plantas e terra úmida. Ela olhou para trás. Sabia que ele estava atrás dela o tempo todo.
- Diga-me seu nome! - gritou antes que a garota corresse assustada, enquanto coçava os olhos que ardiam. Ao abri-los, não havia mais ninguém lá.
Continuou subindo, não ia voltar na metade do caminho. Havia uma pequena fogueira com pedras em volta. Apesar de estar sozinho, sentia como se uma multidão estivesse ao seu redor.
Percebeu também que à sua esquerda havia um rio descendo uma ladeira no gramado. De repente, viu um monte de terra sendo jogado para trás, como se alguém estivesse cavando. Aproximou-se. Uma pessoa de estatura mediana, vestindo um manto preto com capuz, realmente estava cavando na terra.
Seu espírito aventureiro o mandou se aprofundar. Logo, se apresentou:
- Olá, bom dia. Meu nome é Edan. Sou novo aqui, posso ajudar?
A pessoa não se virou, mas respondeu:
- Edan... então você... O que te levou até aqui, jovem? - voz feminina, idosa.
- Edan... então você... O que te levou até aqui, jovem? - voz feminina, idosa.
- Bem, devo admitir que estava curioso para saber onde uma garota estava indo.
- E ela sumiu, por acaso?
- É... a senhora a viu?
- Edan...
Ao se virar, Edan não pôde ver direito seu rosto, pois o capuz o mantinha nas sombras.
Mas se interessou pelo cetro que a senhora possuía. Era feito de madeira rústica, amarrada em pedaços de palha com folhas penduradas que faziam curvas até chegar na sua ponta, onde estava fixada uma linda e relativamente grande pedra bordô, como se fosse transparente e cheia de sangue em seu interior.
- Você sabe o motivo de estar aqui, Edan? - a senhora deu uma risada irônica.
- Bem, eu também ouvi uma música, e tem uma fogueira... É algum tipo de festa?
- Não nego que há uma festa, mas não é para nós. Enfim, Edan, não temos muito tempo...
Tirara o capuz, revelando a ausência de cabelos e olhos completamente negros. Isso o espantara, até fazê-lo pensar que estivesse tendo alucinações pelo forte cheiro de erva queimada, mas não.
- Aproxime-se, Edan. Você chegou primeiro, e isso tem um preço. Eu diria uma recompensa, mas apenas nas mãos daqueles que sabem usá-la.
- Céus, não compreendo, o que queres de mim? Que diabos estou fazendo aqui?
- Não confie neles, Edan...
- Neles quem?!
- O destino está em suas mãos. Tome...
- Uma chave?
- Você saberá o que fazer com ela, na hora certa. Cabe a você escolher. Abrir ou fechar, trancar ou destrancar. Confiamos em sua intuição. Ouça sua voz interior, Edan.
- Meu Deus, quem é você, ou vocês? Aliás, o que é você?
- Poupe-me de satisfações... As respostas virão ao seu encontro mais cedo ou mais tarde.
- Mas
- Adeus, Edan, nos veremos em breve. Estaremos todos aguardando por ti.
Ela andou em direção ao rio. Seus pés tocavam a margem e a velha mulher, ou o que quer que ela fosse, lentamente foi se tornando cada vez mais transparente, como se estivesse dissolvendo-se no ar enquanto elevava seu cetro e uma fumaça negra saía da pedra.
Mas que chave era aquela? Não era uma chave comum... Parecia ser de bronze, muito bem detalhada, com alguns símbolos dos quais Edan desconhecia, e o que era aquilo? Asas de borboletas? Lindas asas.
Ah, a chave... Edan se perguntava sobre quais portas deveria abrir, quais fechar, quantas haviam, se estavam ao seu alcance...
Onde estava, afinal, a bela garota dos olhos e cabelos claros?
Um certo arrependimento surgiu em seu íntimo, mas era tarde demais para se arrepender. Edan sabia que alguma coisa havia sido incluída em vários destinos, e não tinha mais tempo a perder.
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