"Onde está a Lua?", ela pensava. Pensamentos distantes, e tudo que se aproximava era a imensidão azul. Azul do céu, azul do mar. Havia uma montanha. Mas de onde era essa montanha? Estava próxima ou distante?
Ela ouvia vozes, elas a chamavam, e o som se misturava com o aroma da praia.
"Onde, onde elas estão?" ela tentava achar uma direção; deveria passar pela multidão descontrolada. Ela sentia o cheiro dos corpos em frenesi, do álcool, das promessas e desejos sendo queimados. A jovem deveria ser forte, superar suas barreiras que impunham falsos limites.
Talvez ela estivesse flutuando pela multidão aglomerada, talvez estivesse sendo jogada... Mas tudo era tão leve e denso como a atmosfera daquele momento.
E então, ela se viu sozinha na praia; as pessoas, que antes eram tão grudadas, estavam cada vez mais longe agora. "Por que essa sensação? Sensação de que não pertenço a este meio".
As vozes voltaram. Ela ouvia seu nome novamente. Via a montanha mais de perto. Observava... De repente ela vê pequeninas coisas um pouco brilhantes atravessando a montanha, elas se aproximavam. A jovem apoiou-se sobre as mãos e joelhos na beira do mar. Admirava a imensidão aquática. Aquilo foi uma cauda? Ouvia seu nome mais alto e um belo canto ao fundo agora.
Ela via olhos na água. Muitos olhos. Pequenos corpos ondulantes estendiam suas mãos para ela, que cedia vagarosamente. Os seres envolventes se revelavam aos poucos, seduzindo a jovem, que tirava suas roupas para se igualar a eles.
Ela deu adeus à brisa, ao cheiro, à multidão. Deitou na beira do mar e uma onda passou por cima dela, deixando vários seres pequeninos a arrastarem para cada vez mais fundo. Seus olhos observavam as estrelas no céu puro.
Fundo, mais fundo...
Ela tinha razão: não pertencia a este plano, não mais.
Tudo que sobrou foi a flor azulada, boiando na baixa maré.
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