Michael estava sentado imóvel no sofá, olhando para ela. Ela parou na metade de um passo, com os braços curvados para baixo como os de uma bailarina e sentiu que seus cabelos prosseguiam no movimento e lhe caíam dos ombros. Ele estava com medo. Estava sentado no meio do sofá, com seu pijama de algodão, olhando fixamente para ela, como se ela fosse algo totalmente apavorante ou absurdo. A música não parava nunca, e bem devagar ela respirou fundo, normalizou novamente seus batimentos cardíacos e se aproximou dele, pensando que, se algum dia ela havia visto alguma coisa de realmente assustadora na sua vida, era a imagem dele, sentado ali nessa sala, com os olhos fixados nela, como se estivesse a ponto de enlouquecer.
Ele não tremia. Era parecido com ela. Não temia nada. Estava só ansioso, perturbado e horrorizado pela visão. Ele a estava vendo, tinha de estar, e estava ouvindo a música. E, quando ela se aproximou e se jogou no sofá ao seu lado, ele se voltou, olhando para ela, com os olhos arregalados num delicado espanto; e ela colou a boca na dele, puxou-o para si, e pronto. Foi ligação direta, com a reação em cadeia a atravessá-la. Ela o agarrara. Ele era seu.
Ele se afastou um instante como se quisesse olhar mais uma vez para ela, como se quisesse ter certeza de que ela estava ali. Seus olhos ainda estavam enevoados dos remédios. Talvez eles agora estivessem sendo úteis - amortecendo sua sublime consciência católica. Ela o beijou novamente, apressada e meio descuidada, e estendeu a mão para o meio das suas pernas. Ah, ele estava pronto!
Os braços de Michael fecharam-se em torno dela, e ele emitiu um ruído suave, queixoso, que era muito típico dele, como querendo dizer agora é tarde, Deus me perdoe ou algo parecido. Ela quase conseguiu ouvir as palavras.
Mona puxou-o para cima de si, afundando mais no sofá, sentindo o cheiro de pó, enquanto a valsa se avolumava e a soprano prosseguia cantando. Ela se esticou por baixo dele enquanto ele se erguia, protetor, e então ela sentiu sua mão, que tremia ligeiramente de um jeito encantador, a rasgar a flanela e a tocar seu ventre e coxa nus.
- Você sabe que há algo mais por aí - disse ela, baixinho, puxando-o com força para baixo. Mas a mão de Michael foi adiante dele, enfiando-se delicadamente nela, despertando-a, quase igual ao acionamento de um alarme contra ladrões, e ela sentiu que suas próprias secreções lhe escorriam entre as pernas.
- Vamos, não consigo me segurar - disse ela, sentindo o fogo queimar seu rosto. - Vem. - Era provável que parecesse selvagem, mas ela não podia se fingir de menininha nem mais um instante. Ele a penetrou, machucando-a deliciosamente, e então começou o movimento de pistão que a fez jogar a cabeça para trás e quase gritar. - Vem, vem, vem.
- Está bem, sua louca - exclamou ele, num sussurro rouco, e então ela gozou, gozou e gozou, rangendo os dentes, mal aguentando, gemendo e berrando com a boca fechada. E ele também.
Lasher, Anne Rice
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