1. depois que o indivíduo recebeu um bom conselho;
2. depois de uma confissão mais ou menos completa, porém suficiente;
3. depois de haver reconhecido um conteúdo essencial, até então inconsciente, cuja conscientização imprime um novo impulso à sua vida e às suas atividades;
4. depois de libertar-se da psique infantil após um longo trabalho efetuado;
5. depois de conseguir uma nova adaptação racional a condições de vida talvez difíceis ou incomuns;
6. depois do desaparecimento de sintomas dolorosos;
7. depois de uma mudança positiva do destino, tais como: exames, noivado, casamento, divórcio, mudança de profissão, etc;
8. depois da redescoberta de pertencer a uma crença religiosa, ou de uma conversão;
9. depois de começar a erigir uma filosofia de vida ("filosofia", no antigo sentido da palavra!).
A experiência, porém, mostra que há um número relativamente grande de pacientes para os quais a conclusão aparente do trabalho junto ao médico não significa de modo algum o fim do processo analítico. Pelo contrário, o confronto com o inconsciente continua do mesmo modo que no caso daqueles que não interromperam o trabalho junto ao médico. Ocasionalmente, ao encontrarmos tais pacientes anos depois, não é raro que contem histórias interessantes de suas transformações posteriores ao tratamento. Essas ocorrências fortaleceram inicialmente minha hipótese de que há na alma um processo que tende para um fim, independentemente das condições exteriores; essas mesmas ocorrências libertaram-me da preocupação que eu pudesse ser a causa única de um processo psíquico inautêntico (e, portanto, contrário à natureza). Esse receio não era descabido, uma vez que certos pacientes não são levados ao desfecho do trabalho analítico por nenhum dos argumentos mencionados nas nove categorias - nem mesmo por uma conversão religiosa - e nem pela mais espetacular liberação dos sintomas neuróticos. Foram precisamente casos desta natureza que me convenceram de que o tratamento das neuroses se abre para um problema bem mais amplo, além do campo exclusivamente médico e diante do qual a ciência médica é de todo insatisfatória.
C. G. Jung
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