24 de mar. de 2012

A Vida Sexual de Freud



"Independentemente da posição final em relação à teoria da sedução, o próprio Freud apresentava uma atitude negativa em relação ao sexo e enfrentou dificuldades sexuais. Ele escreveu sobre os riscos da sexualidade (também entre as pessoas normais, não neuróticas) e afirmou que todos deviam lutar para superar essa "necessidade tipicamente animal". Considerava o ato sexual degradante, contaminador da mente e do corpo. Aos 41 anos, abdicou do sexo. "A excitação sexual não tem mais a menor utilidade para uma pessoa como eu" (Freud, 1954, p. 277). Algumas vezes sofria de impotência, em outras, abstinha-se do sexo porque não gostava de preservativos e dos coitos interrompidos, métodos contraceptivos que eram padrão naquela época.

Freud responsabilizava a esposa pelo fim da sua vida sexual e interpretou alguns dos próprios sonhos como o retrato do ressentimento por ela o haver forçado a desistir do sexo. Um biógrafo escreveu: "Ele ficou ressentido porque ela engravidava com facilidade, ficava muito indisposta durante a gravidez e recusava-se a manter qualquer tipo de atividade sexual além [dos atos de procriação]" (Elms, 1994, p. 45). Os conflitos sexuais de Freud aparentemente foram responsáveis pela sua atração e por sua fascinação por mulheres bonitas, que pareciam gravitar em torno do seu círculo de alunas. Um amigo chegou a comentar que entre os alunos de Freud "havia tantas mulheres atraentes que parecia não se dever apenas a um fator contingencial" (Roazen, 1993, pg. 138).

Logo Freud tornou-se um exemplo de referência da própria teoria. Suas frustrações sexuais apareciam na forma de neuroses. Ele descreveu um episódio de neurose profunda ocorrido no ano em que abdicara do sexo, envolvendo "estados mentais bizarros e não inteligíveis conscientemente - pensamentos perturbados e dúvidas veladas, raramente uma clareza aqui e ali. (...) Não tenho noção do que aconteceu comigo" (Freud, 1954, p. 210-212). Os sintomas físicos problemáticos incluíam dores de cabeça e enxaquecas, dificuldades urinárias e cólon espástico. Achava que ia morrer, preocupava-se com o coração e ficava ansioso ao pensar em viajar e permanecer em lugares abertos.

Autodiagnosticara-se com uma neurose de ansiedade e neurastenia resultantes do acúmulo de tensão sexual. Havia concluído anteriormente ser a neurastenia masculina resultante da masturbação e estar a neurose de ansiedade relacionada às práticas anormais, como o coito interrompido e a abstinência. Definindo dessa forma os próprios sintomas, "sua vida pessoal estava profundamente envolvida na própria teoria, já que baseava-se nela para tentar interpretar e resolver seus problemas. (...) A teoria de Freud sobre a verdadeira neurose consiste, assim, em uma teoria dos próprios sintomas neuróticos" (Krüll, 1986, p. 14, 20). Reconhecendo a necessidade de se submeter à psicanálise, Freud continuou a analisar a si mesmo por meio da análise dos seus sonhos."

História da Psicologia Moderna, página 363

Nenhum comentário:

Postar um comentário