11 de set. de 2011

Night Tripping

Inicia-se o som emitido por um dos mais vis demônios do planeta; um baixo agressivo, era somente uma certa tonalidade de verde. Incubus era seu despertador; ela gostava de lembrar de sua amável adolescência pseudo-revoltada. Ana faz um omelete, joga-o entre duas finas fatias de pão integral; bebe um pouco de leite. Vai ao trabalho, lê alguns casos quaisquer que terá de resolver posteriormente; seguira a carreira de seu pai; ela sabia que jamais conseguiria contrariar sua verdadeira essência e ser atriz; há anos já não tinha mais contato com seus familiares, ela se desvinculara de seus laços mais fortes. Conversa com seus companheiros de trabalho, debate sobre o quão verídico fora o depoimento do réu no encontro anterior; reforça suas opniões já formadas, eles só concordam com o que ela diz. Volta para casa, era sexta feira. Deita-se no sofá, vê um pouco de televisão, afinal até mesmo os mais intelectuais merecem um momento para o qual você não precisa pensar. Ela levava aquela vida há mais de 10 anos; era bem sucedida, tinha um grande apartamento num bairro nobre de uma grande cidade qualquer em um lugar indevido. Gostava ela de ser tão 'nobre', era o punho de aço da justiça; sendo assim ela merecia viver uma vida justa, normal e bem composta. A hora havia dado; se prepara para o ritual comum de suas sextas feiras; toma um banho, coloca uma roupa propícia; vai, então, para o mais nobre lugar daquela cidade. Era uma rua suja, cheia da escória da nata daquela cidade; aquele neon vermelho piscante a deixava louca; Night Tripping, era esse o lar que a abrigaria naquela noite fria; estava garoando. Entra; sente aquele cheiro característico de suór, calor humano e muita sacanagem; sobe aquelas escadas sujas, era estreito. Chega no salão principal; chamam-na pelo seu nome: Gaelle; era conhecida naquele lugar; ela era alta, 1.79; estava com um corselete vermelho, meia-calça e todos os mais apetrechos que a tornavam a mais bela das ninfomaníacas daquela cidade. Seu cabelo estava longo e todo cacheado, batom vermelho que contrastava com sua face branca e limpa, pura. Chega no salão principal; havia somente uma luz vermelha fraca, vê-se sofás com pessoas sentadas só observando o showzinho de Vinylla; inatingível Vinylla; loira, não muito alta, olhos azuis, profundos, rosto fino; não era encorpada, mas tinha um belo par de coxas nas quais deixavam tanto homens quanto mulheres loucos. Ela estava brincando com alguns dildos quando Gaelle chega; ao ver sua amiga, Vinylla manda um beijinho um tanto quanto indecente; Gaelle se sente lisonjeada. Haviam alguns pilares; do lado do palco havia uma bancada aonde ficava o barman; ele preparava algumas bebidas, e se preciso algumas coisas ilícitas; haviam também algumas portas que levavam para os mais profundos e indecentes desejos humanos; qual delas Gaelle iria entrar?
Ela escolhe entrar na toca do coelho; abre a primeira porta à sua direita; vê-se diversos apetrechos como chicotes, palmatórias, algemas e afins; uma cama cheirando a noites quentes de puro sexo, e por que não fetiche? Entra mais alguém no quarto; era alguém conhecido; a porta se tranca; Gaelle sente um frio sacana em sua espinha dorsal; era um de seus amigos mais íntimos na época de sua adolescência pouco inocente; ela o prende silenciosamente numa barra vertical de aço; remove todas suas vestimentas; vê que seu membro máximo está tão quente e pulsante; isso a deixava extremamente excitada; ela resolve lamber a glande com sua frágil e longa língua; não haviam acordos nem conversas, ambos já se conheciam, mas naquele momento eles eram como animais selvagens em plena primavera, na qual a única coisa que prevalece é a reprodução; ela dá uma leve mordida, vê um pouquinho de sangue escorrer, mas isso não a deixava com receio, nem a ele; aliás, isso só o deixava ainda mais excitado; ele dá um leve grunhido de prazer somado a dor; ela continua a lamber, partindo da mais pura e plena suavidade à mais forte e destrutiva agressividade; ele estava indo às mais longíncuas planícies paradisíacas graças aquela língua voraz; ela resolve para; criar o baque do prazer físico para o prazer estético; bate nele com a palmatória; acertando bem as suas nádegas; ele grunhia de dor, ou prazer? Ela resolve faze-lo enlouquecer de verdade; deita na cama e começa a se masturbar bem lentamente; aquilo era extremamente sensual, o que o deixava ainda mais louco; ela estimulava com perfeita maestria o clítoris enquanto colocava um dildo relativamente grande e grosso em sua vagina; ela fazia faces de extrema agonia derivada do prazer infinito que ela estava a sentir; ele não aguentava mais, ela percebera isso, então o deu duas chicotadas nas costas e resolveu fazer o dirty job; desta vez ela o prende na cama; coloca-se numa posição como se fosse cavalgar; ela encaixa o membro dele em sua vagina e começa a lentamente fazer movimentos quentes; como ela fazia aquilo perfeitamente; súbitamente ela parava de vez em quando para deixa-lo à beira da insanidade; às vezes ela cavalgava com tanta vontade que ele começava a entrar em estado de nirvana sexual; ela emitia os gemidos mais puros que alguém daquela estirpe poderia emitir; por fim ela acaba gozando, liberando seus flúidos corpóreos; ele faz o mesmo; ambos compartilham aquele momento único que Gaelle já compartilhara com diversas pessoas aleatórias naquele mesmo quarto sujo e impuro; por fim ela o deixa lá, na cama, enquanto se dirige para o barman; pede somente uma dose de whisky; era um 12 anos; lentamente ela bebia enquanto apreciava o show de sua companheira de muitas noites; Vinylla; por fim ela dá adeus para aquele recinto na qual ela viria a frequentar mais tantas vezes, como já fizera antes; entra em seu carro, acende um cigarro, o segurava de forma um tanto quanto incomum; era sensual demais aquela cena; ela deixara de fundo Pavlov's Daughter da Spektor; voltara para casa, estava satisfeita, ela não podia esperar mais uma semana para poder ter seu momento de liberdade. Por fim, em casa, Ana toma um amável banho, coloca seu pijama e se prepara para ter uma leve e saudável noite de sono; esta era sua vida, uma pessoa normal e bem sucedida às manhãs, enquanto de noite ela saia para mais uma Night Tripping suja, cheia de sacanagem, indecências e fetiches.


F.P.

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