O sítio era sagrado para ela. Era seu refúgio, local onde sentia-se livre das imposições alheias. Ocorria-lhe um prazer imensurável ao sentir a madeira em seus pés descalços, o aroma das plantas entrando na casa, e ao observar o vasto campo, imaginando como teria sido a Terra em tempos remotos. Banhou-se com água fria e escolheu um vestido leve em tons pastel.
Desta vez não havia ido ao sítio para mais uma viagem em família nas férias. Determinou um feriado para partir e voltar em dois dias, somente. Nesse único dia livre, dedicou-se a práticas inabituais para a rotina urbana. Após um café da manhã tipicamente rural, foi deitar-se próxima às plantações. Há tanto tempo não tomava um banho de sol... De fato, estava magoada por conta de suas experiências com relacionamentos pessoais. Não desejava esquecê-las, seria imaturo, apenas desejava não ser afetada negativamente.
Olhava para o céu limpo, a luminosidade quase a cegava. Fechou os olhos. Visualizava várias cores fortes em suas pálpebras. Verde, azul, rosa, lilás, parando no vermelho. A cor passava a preencher não só suas pálpebras, mas também sua cabeça inteira, e por que não seu corpo todo? Sentia-se mais quente, mais viva...
Ouvira uma risada sem origem. Ignorou-a. Ouvira, então, suspiros, leves e profundos, oscilantes. Sentiu nitidamente um beijo abaixo de seu umbigo. Abriu os olhos. Ninguém ali, todavia o ambiente estava mais quente, tanto na temperatura quanto nas cores. Seria a luz solar a alaranjar e amarelar as folhas e troncos? Não, estava tudo brilhante demais. Estaria ela passando mal? Ora, era uma sensação tão boa...
- Psssssssiu! - teria sido algum menino de outra casa a provocá-la?
Ao abrir novamente os olhos, deparou-se com uma mulher ajoelhada atrás dela, o rosto acima do seu, ambos encobertos pela cabeleira ruiva.
- Shhhhh, não temas. Irei ajudá-la.
- Ajudar-me com o que? - sua voz mal saía, tamanha era a perplexidade.
- Com a superação, doce menina, tão bela, vem perder-te comigo.
- Do que estás falando?! - Antes que pudesse tomar qualquer atitude, a mulher a beijou invertidamente, hipnotizando-a. Tornara-se totalmente passiva, dependente.
- Liberte-se - ordenava severamente. A moça nada dizia. - Muita... matéria - tocou seus seios por cima do vestido, o qual foi se queimando, revelando gradualmente seu corpo nu.
Delineava suas curvas com a ponta dos dedos. Sugava seus seios, mordia-os. Percorria seu corpo todo, pressionava-o, abraçava-o. À medida que os quentes lábios eram aproximados do interior de suas coxas, sua visão se tornava avermelhada, e finalmente, no êxtase do contato entre o sexo e a língua ardente, encontrava-se perdida em um universo de fogo, vendo a mulher entre suas pernas se transformar em brasas. Os espasmos de seu corpo eram ondulantes como a chama de uma vela. Silêncio, então. Sozinha estava. Apenas uma presença invisível; mais um beijo, uma carícia, um sussurro, e adormecera.
Sentira algo fazendo cócegas em sua pele. Despertou. Era uma mariposa de tonalidade tão alaranjada quanto os cabelos da misteriosa e agora ausente mulher. Pôs-se a encarar o belo inseto, até o momento em que movimentou suas asas aos céus, desaparecendo na escuridão entre as árvores.
Muito bom adorei.
ResponderExcluirSó de ler já sinto meu peito quente novamente.